Das Cataratas à Amazônia: as florestas tropicais que fazem do Brasil um dos países mais biodiversos do mundo

Quando se fala em florestas tropicais brasileiras, a Amazônia costuma ser a primeira referência. Maior floresta tropical contínua do mundo, ela ocupa uma extensa área da América do Sul e apresenta uma enorme variedade de ambientes, espécies e sistemas de rios. No Brasil, sua presença é especialmente marcante na região Norte, onde grandes extensões de floresta ainda formam áreas contínuas.

Mas a diversidade de florestas tropicais do país não se resume à Amazônia. Ao longo de grande parte do litoral e também avançando pelo interior do território brasileiro, encontra-se a Mata Atlântica, outro dos grandes conjuntos florestais do país.

As duas possuem algo fundamental em comum: são florestas tropicais de enorme importância para a biodiversidade e para o equilíbrio ambiental. Ao mesmo tempo, suas histórias de ocupação e conservação são bastante diferentes.

A Amazônia ainda conserva grandes extensões contínuas de floresta. Já a Mata Atlântica foi profundamente transformada pela ocupação do território brasileiro ao longo de mais de cinco séculos. Atualmente, seus remanescentes correspondem a cerca de 12% de sua cobertura original, o que torna cada área preservada especialmente importante para a conservação de espécies e ecossistemas.

Essa diferença ajuda a entender por que a Mata Atlântica merece tanta atenção. Mesmo reduzida a uma fração de sua extensão original, ela continua sendo um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta. Seus remanescentes formam uma rede de áreas protegidas que desempenha papel fundamental na conservação da fauna, da flora, dos rios e dos serviços ambientais.

É nesse contexto que Foz do Iguaçu ganha importância.A cidade está inserida em uma região de Mata Atlântica onde um dos maiores remanescentes do bioma no interior do Brasil permanece protegido: o Parque Nacional do Iguaçu.

A floresta que acompanha as Cataratas do Iguaçu faz parte de um território muito maior. A Mata Atlântica ocorre em 17 estados brasileiros e reúne diferentes formações florestais e ecossistemas. A Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO, abrange atualmente 89,687 milhões de hectares e se estende por aproximadamente 6.750 quilômetros do litoral brasileiro, alcançando também áreas do interior.

Ao longo de séculos de ocupação, porém, grande parte dessa vegetação foi transformada. Segundo o Atlas da Mata Atlântica, da SOS Mata Atlântica, restam 12,4% da cobertura florestal original quando considerados os fragmentos mais maduros e sem degradação detectável por imagens de satélite. O MapBiomas utiliza uma metodologia diferente e identifica 24% de cobertura florestal original ao considerar fragmentos jovens e maduros acima de meio hectare. As diferenças mostram como o resultado depende dos critérios utilizados para definir e medir os remanescentes.

Por isso, áreas contínuas e protegidas ganham importância. No oeste do Paraná, o Parque Nacional do Iguaçu representa um desses grandes remanescentes.

A Mata Atlântica que permanece em Foz do Iguaçu

Criado em 1939, o Parque Nacional do Iguaçu possui 185.262 hectares e é uma das principais áreas protegidas da Mata Atlântica no interior do Brasil. O parque também está conectado ao Parque Nacional Iguazú, na Argentina, formando, junto com outras áreas florestais, um importante contínuo de vegetação na região.

Essa continuidade é especialmente importante para a biodiversidade. Grandes áreas preservadas permitem a manutenção de habitats, a circulação de animais e a continuidade de processos ecológicos que seriam prejudicados em fragmentos muito pequenos e isolados.

No Parque Nacional do Iguaçu, a paisagem é marcada principalmente pela Floresta Estacional Semidecidual, formação característica do oeste do Paraná. Também existem áreas de Floresta Ombrófila Mista, onde aparece a araucária, além de formações pioneiras associadas aos ambientes aluviais.

A diversidade vegetal é expressiva. O ICMBio registra mais de 700 espécies de plantas terrestres no parque. Entre elas estão o palmito-juçara, espécie característica da Mata Atlântica, e a peroba-rosa, árvore ameaçada de extinção. A araucária também está presente em determinados setores do parque.

A floresta também abriga uma fauna diversificada. São conhecidas no parque cerca de 158 espécies de mamíferos, 390 espécies de aves, 48 répteis, 12 anfíbios e 175 espécies de peixes, além de pelo menos 800 espécies de invertebrados. Entre os animais registrados estão quatis, antas, macacos, veados, tamanduás, tucanos, papagaios, beija-flores e jacarés.

Entre todos eles, a onça-pintada ocupa um lugar especial. Maior felino das Américas, ela é uma espécie de topo da cadeia alimentar e depende de grandes áreas de floresta, disponibilidade de presas e conexão entre habitats para sobreviver. Sua presença é também um indicador da qualidade e da integridade do ecossistema.

Uma floresta que ultrapassa fronteiras

Em Foz do Iguaçu, a Mata Atlântica não termina na fronteira brasileira.

O Parque Nacional do Iguaçu está conectado ao Parque Nacional Iguazú, na Argentina. Juntas, essas áreas fazem parte de um contínuo florestal que ultrapassa as fronteiras políticas entre os dois países.

Essa característica é importante porque os animais não reconhecem fronteiras administrativas. A conservação de uma espécie depende da existência de ambientes adequados, áreas de alimentação, abrigo e reprodução e, em muitos casos, da possibilidade de circulação entre diferentes fragmentos de floresta.

O próprio MapBiomas possui uma iniciativa específica para acompanhar a Mata Atlântica da região trinacional. A plataforma reúne mapas anuais de cobertura e uso da terra de 1985 a 2023, abrangendo áreas da Argentina, do Brasil e do Paraguai. São 39 anos de dados e 20 classes de uso e cobertura mapeadas em escala de 30 metros.

É uma maneira de enxergar a floresta para além das paisagens turísticas: como um território que muda ao longo do tempo e que pode ser acompanhado por meio de dados, mapas e pesquisas.

Conhecer a floresta é também conhecer a Mata Atlântica

Em Foz do Iguaçu, o visitante pode entrar em contato com essa floresta de diferentes maneiras.

A experiência mais conhecida está no Parque Nacional do Iguaçu, onde a tradicional Trilha das Cataratas atravessa a vegetação até chegar aos mirantes das quedas. Mas a experiência de natureza não se limita às Cataratas.

Outros caminhos e atividades permitem observar diferentes ambientes do parque, enquanto passeios como o Macuco Safari aproximam o visitante do Rio Iguaçu.

Nas proximidades, o Parque das Aves também trabalha diretamente com a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica, o Aquafoz, aquário de Foz, possuí uma grande diversidade marinha, enquanto o Refúgio Biológico Bela Vista, mantido pela Itaipu Binacional, desenvolve atividades de conservação, pesquisa e educação ambiental.

Clique aqui para saber mais sobre os atrativos que representam a mata atlântica em Foz.